COMO CONQUISTAR O AFECTO DE ALGUÉM?
SEREI AMADO(A) POR ELA(E)?
O amor é o exemplo mais típico dos fundamentos da psicoalgebra. Corresponde a um «vector» de carácter biológico que constitui a pedra basilar da sobrevivência humana. Entende-se aqui por amor aquele impulso que:
Obriga a que o sujeito abandone o seu clã, o seu reino, para ir «roubar» uma mulher a outro clã. Ou,
Obriga a mulher de um clã a «seduzir» um jovem de outro clã de modo a que aquele a venha «roubar» ao seu reino.
Os dois se juntem em casa separada de modo a constituir uma família.
Tudo aquilo que não corresponda a esta situação não é amor: é uma situação patológica geralmente denominado «amor neurótico».
Repare-se que o macho (Puer) antes de entrar no reino cuja entrada é guardada por Rubeus, terá de ter a certeza que a fêmea (puela) está receptiva. Por isso existe uma situação prévia de namoro em que o elemento masculino ocupa a posição do mais fraco relativamente ao feminino. Corresponde, grosso modo, ao hexagrama 31 do i ching - a influência. Depois de «raptada» a situação inverte-se e o homem terá de ocupar a posição «exterior» e a mulher «interior» - hexagrama 37, a familia! Por tudo isso não é de estranhar que Amissio seja um figura muito benéfica em questões amorosas.
Sempre que nos tempos modernos exista uma situação que possa ser descrita por este modelo, a psicoalgebra funcionará em toda a plenitude descrevendo pormenorizadamente o relacionamento entre todas as partes envolvidas.
Dois exemplos vão ajudar-nos a compreender toda esta teoria:
1º - Marta é uma mulher revoltada por questões ligadas à sua carreira
profissional. Ela ama João e está disposta a seduzi-lo se houver
compatibilidade entre eles. Será que João acabará por gostar de Marta também
e o acasalamento se verifique num futuro próximo?

As casas mais importantes para Marta serão as VII, VI, V e XI.
Marta, mulher doce e sensível (atributos de Puela na casa I), está a apostar num homem mais valho do que ela. Provavelmente um celibatário com fortes inibições na área sexual, aventureiro de salão mas com uma base estável na sua situação social. Sob o ponto de vista afectivo, João é um idealista, com gosto pelas festas, amores teatrais e tendência para os excessos da mesa apontando contudo para uma provável estabilidade e harmonia no amor. De facto,
Carcer é o portão que Marta terá de atravessar para entrar no mundo de João, i. é., a parte visível do iceberg (Casa VII). Um homem fechado e muito provavelmente mais velho do que ela.
Ele ama em conformidade com com os valores atribuídos à Laetitia - Casa XI - e estes serão os apoios de Marta. Idealista e gosto pelas farras.
Por sua vez Marta está afectada na sua parte sentimental pelos problemas de carreira: - a sua Casa V está a ser influenciada pela IX onde Amissio aponta para perdas materiais e do dinamismo social. Ali residem os apoios de João.
Albus na casa VI diz do resultado dos sentimentos de ambos: - marca acima de tudo a frigidez e inapetência sexual de Marta enquanto a casa II (que será a VIII de João) aponta para uma sexualidade grave e por vezes inibida do companheiro em perspectiva. Fortuna Minor em VIII de Marta assinala um certo arrivismo por parte do João.
Por mor de tudo isso, não haverá entendimento entre eles. João continuará ligado aos prazeres da mesa (Acquisitio em XII de Marta e VI de João) e Marta ficará retida em sua casa (Albus em IV) muito embora se encontrem por vezes à noite no mesmo bar (Fortuna Minor na III de Marta e na IX de João - o Playboy!). E afinal qual a causa ultima deste «desentendimento»? Vejamos...
Marta está terrivelmente afectada por aquilo que acabou de viver em sua carreira profissional. Com a Cauda do Dragão em X, com Amissio em IX e Tristitia em II ela acabou por transferir para o seu campo afectivo (Casa V) suas preocupações materiais. E como corolário sua frigidez sexual... O seu passado é Rubeus em toda a sua plenitude. O presente é uma espécie de rochedo (Carcer em XV) que ela vai tentar no futuro remover vestindo a pele de Puer (Puer em XIV) mas sem qualquer resultado imediato...
Provavelmente sem acções apropriadas vindas do exterior João nunca mudará seu modo de vida. Estabilizado na sua profissão, comes e bebes deve ser o seu fraco e não será certamente Puer que o retira dali. Marta terá de aceitar viver com as suas «doenças» (comas realçadas!!) e fazer os possíveis por «curtir à noite sua dor» no bar frequentado pelo seu cavaleiro andante. Amissio é uma figura de mudança que regra geral nos permite sair de um sitio estressante em curto espaço de tempo. Contactos mais desinibidos (Albus não se presta a essas coisas...) levarão João a compreender que para além dos comes e bebes há outros bens de consumo corrente em que vale a pena apostar... Com base nisso a compatibilidade do futuro casal não nos deixa duvidas. Será apenas uma questão de tempo! Mas nunca no ambiente em que Marta vive actualmente - Albus em XVI!!!
Corolários: - Albus e Acquisitio são figuras «menos boas» para assuntos de amor. Amissio (na VI, VII, VIII, XI), Caput, Laetitia, Puela, Puer, Fortuna Minor (conquista rápida!) e Conjunctio (amantes e contactos!!!) são as figuras ideais para questões de amor em todas as vertentes!
2º - O segundo exemplo relata o caso verídico do meu amigo Jisa (Joaquim) que foi dono de uma das melhores discotecas da cidade do Porto. Certa noite conheceu a Susana, mulher de trinta e cinco anos, divorciada, por quem sentiu imediatamente um fraquinho porque se tratava efectivamente de uma mulher bela, com um extraordinário gosto a vestir-se e maneira de estar muito expansiva. Após alguns encontros em casa de Susana, Jisa informou os pais que estaria apaixonado por ela e que com ela pretendia casar. Os pais rejeitaram a ideia por se tratar de uma mulher divorciada (estávamos ainda em 1977!) e tal noticia acabou por criar na casa da família um terrível mal-estar que degenerou num autentico ambiente tumular. Jisa serviu-se da psicoalgebra para fazer o ponto da situação a 13 de Abril de 1978.
Jisa quer obter uma vitória rápida mas está colérico - Fortuna Minor em I.
A casa VII ocupada por Rubeus descreve o ambiente que rodeia Susana: - uma divorciada!
A casa V sofre a influência da casa de família onde mora Jisa - Carcer... uma desgraça!
A casa XI - amores e sentimentos de Susana - com a presença de acquisitio, aponta para uma bulimia afectiva daquela senhora que olha mais à quantidade do que à qualidade dos pretendentes.
A resultante na casa VI - Fortuna Minor - não é propriamente uma vitória no amor para o amigo Joaquim muito embora a situação não seja de derrota!
Caput em II e VIII diz-nos que a sexualidade de ambos é da mesma espécie - sonhos e desvaneios.
A casa VI de Suzana (ou XII de Jisa) com Fortuna Maior diz-lhe que a vitória que irá obter no amor não se presta a grandes deboches o que de resto pouco deve importar a ambas as partes. Curiosamente poderemos afirmar que o único inimigo do Joaquim em toda esta história foi a educação rígida que seus pais lhe ministraram em criança.
Enquanto Jisa tiver Carcer na sua V casa, este casal viverá entre a bulimia da Susana, os bons modos do Joaquim aprendidos na infância e uns encontros fortuitos em casa da sua amada. Provavelmente para beber uns copos e ouvir um pouco de musica clássica. A cama, essa, poucas vezes será desfeita!
De resto, esteja onde estiver, viva onde viver, Jisa sofrerá sempre o ambiente psicológico próprio dos presos por delito comum - Carcer na XVI. Até à altura em que ele queira sair para a liberdade pelo seu próprio pé, claro!
Corolários: em questões de amor Rubeus pode significar divórcio ou adultério. Carcer é figura «péssima» na casa V. Fortuna Maior em VI é figura «boa» para tudo menos para o deboche. Puela e Tristitia em VI são figuras que apontam para uma sexualidade acima da média. Caput e Conjunctio indicam aí «fuga às responsabilidades»...
Uma análise exaustiva idêntica à dos nossos exemplos deverá ser feita antes de qualquer tentativa de CATIVAR O AFECTO DE ALGUÉM. Cativar o afecto da pessoa que nos tocou com a flecha do Cupido é um acto natural, nobre e consentâneo com qualquer Moral. Mas, não esquecer nunca que a maior parte das vezes teremos de começar por nós essa fase de influência pois sem uma mente aberta e disposta a coabitar com as suas próprias «doenças» ou a irradiá-las definitivamente de nossas mentes, não é possível viver o verdadeiro amor em sua plenitude. Para quê conquistar a mulher (homem) dos nossos sonhos se depois não tirar-mos partido das fontes de prazer com que a natureza nos dotou? A Psicoalgebra não é propriamente um pare de binóculos com que possamos espreitar a intimidade das outras pessoa. Ela é acima de tudo um teste projectivo com o qual podemos «analisar» os outros nas partes mais recônditas da sua personalidade profunda e compará-las como as nossas a fim de verificarmos onde há concordância ou discordância de valores. A psicoalgebra nunca associou a esses valores o conceito de «bons» ou «maus». São valores de sobrevivência individual e de sobrevivência e progresso da humanidade de que fazemos parte. Por mor disso e neste nosso site, utilizamos sempre comas quando as palavras ou frases estão imbuídas de certa carga psicológica ou mesmo afectiva que as tornam menos próprias à luz da nossa Moral Comum. Para lhe retirar essa carga, pois com certeza...
[ Topo ]